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Manuel Bandeira: vou-me embora pra Pasárgada

ManuelBandeira caMANUEL CARNEIRO DE SOUSA BANDEIRA FILHO nasceu no dia 19 de abril de 1886, na cidade do Recife, Pernambuco. Morreu no dia 13 de outubro de 1968, na cidade do Rio de Janeiro.

Quando terminou o curso de humanidades em sua cidade natal, em 1904, aos 18 anos, foi para São Paulo, onde iniciou o curso de arquitetura na Escola Politécnica. Interrompeu o curso por causa da tuberculose. Para se tratar, buscou repouso na cidade de Campos do Jordão e em outras localidades de clima mais ameno. Com a ajuda do pai, que reuniu todas as economias da família, foi para a Suíça, onde esteve no Sanatório de Clavadel. Nessa estada na Europa tomou contado com a poesia simbolista e pós-simbolista, que teve influência fundamental no seu primeiro livro, Cinza das Horas (1917). De volta ao Brasil, decidiu morar no Rio de Janeiro, onde, além de poesia, passou a escrever crítica literária e a lecionar na Faculdade Nacional de Filosofia.

Como poeta, usou o verso livre com grande maestria numa obra que fala de amor, morte e momentos do cotidiano. Tratou desses assuntos com humor, amargura e ironia. Firmou-se como o pioneiro do modernismo brasileiro com a obra Carnaval (1919), tendo participado ativamente também da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. Relatou sua trajetória na obra Itinerário da Pasárgada (1954), na qual se revela também memorialista. Traduziu para o português obras de William Shakespeare, Rainer Maria Rilke e García Lorca, entre outros. Sua poesia foi reunida na obra de um só volume Estrela da Vida Inteira. Em 2003, o ensaísta Ivan Junqueira organizou as obras do poeta em uma antologia intitulada Testamento de Pasárgada, sob os auspícios da Academia Brasileira de Letras (abaixo).


ManuelBandeira in2Folha Ilustrada — 06/setembro/2003 — E5


Esgotada há cerca de 20 anos, a antologia Testamento de Pasárgada foi relançada em 2003 em edição conjunta da Editora Nova Fronteira com a Academia Brasileira de Letras. A organização do volume foi um dos primeiros trabalhos do poeta e ensaísta Ivan Junqueira. Ao contrário de uma antologia comum ou de um volume de obras reunidas, o aspecto cronológico é mantido em segundo plano. As poesias foram selecionadas e agrupadas em seções temáticas. Dentre os segmentos, há o que reúne as melhores produções do poeta, o dedicado às influências e o que agrupa seus poemas mais melancólicos.

No início de cada bloco, são apostas epígrafes, extraídas do próprio poeta, e escrito curto ensaio. Esse formato convida o leitor a ler a obra menos numa sequência temporal e evolutiva e mais num entrelaçamento de temas e motivos que circulam pela obra como um todo. Assim, na seção Lirismo Triste, pode-se cotejar versos do início da carreira, como À Sombra das Araucárias com outros de sua maturidade, como Poema do Mais Triste Maio. Com isso, a antologia favorece a retomada das primeiras obras do poeta, consideradas menores por boa parte da crítica.

De acordo com a historiografia, o poeta começou a se firmar com os escritos O Ritmo Dissoluto, Libertinagem e, principalmente, Estrela da Manhã. A antologia defende, porém, a importância dos poemas anteriores, não só salpicando-os em cada seção, mas também fazendo justificativas deles nos ensaios introdutórios. O poeta pernambucano é mostrado com um escritor culto, sensível aos recursos cedidos pela tradição. São esclarecedores seus comentários sobre Chama e Fumo, em que recorre ao formato da vilanela, cujas origens datam do século XVI, e Solau do Desamado, que se baseia no quinhentismo português. Os dois poemas são da obra de estréia: A Cinza das Horas.


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