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Entre os romanos, era o Céu. As versões sobre sua origem são as mais variadas. Alguns fazem-no filho da Noite. Outros dão-lhe Geia (Terra) como mãe. Na tradição mais corrente, figura como esposo de Geia. Com esta, teve os Titãs, os Ciclopes e os Hecatonquiros. Detestava os filhos. Logo após o seu nascimento os escondia no seio da Terra, condenando-os a viver ali para sempre. Com essa violência, suscitou a revolta de Geia , que se decidiu vingar. Reuniu os filhos e disse que um deles deveria punir o pai.

Todos se recusaram, salvo Crono (Saturno para os romanos), o mais jovem. Na noite seguinte, quando o pai se uniu à mãe, o filho, com uma foice, lhe cortou os testículos, lançando-os, em seguida, ao mar. As gotas de sangue que caíram fecundaram novamente Geia, dando origem às Erínias ou Fúrias. Dos testículos jogados ao mar surgiu uma espuma, da qual nasceu Afrodite (Vênus para os romanos).

Segundo o especialista Junito de Souza Brandão, é a personificação do Céu, enquanto elemento fecundante de Geia (Terra). Era concebido como um hemisfério, a abóbada celeste, que cobria Geia (Terra), concebida como esférica, mas achatada. Entre ambos se interpunham o Éter e o Ar. Nas profundezas de Geia, localizava-se o Tártaro, bem abaixo do próprio Hades. Do ponto de vista simbólico, o deus do Céu traduz uma proliferação criadora desmedida e indiferenciada, cuja abundância acaba por destruir o que foi gerado. Ele caracteriza, assim, a fase inicial de qualquer ação, com alternância de exaltação e depressão, de impulso e queda, de vida e morte dos projetos. Deus celeste indo-europeu, símbolo da fecundidade, é representado pelo touro. Sua fertilidade, todavia, é perigosa, além de inútil. A sua mutilação pelo filho Crono pôs fim a uma odiosa e estéril fecundidade.

 

 


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