jonathan-swift in1Jonathan Swift
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 Nasceu no dia 30 de novembro de 1667 e morreu no dia 19 de outubro de 1745, na cidade de Dublin, Irlanda.

O pai morreu sete meses antes do seu nascimento. Quando tinha um ano, a ama o levou, por conta própria, para a Inglaterra. Era a época do despótico Oliver Cromwell e de seu sucessor, o rei Carlos II. O país passava por grandes agitações políticas. Dois anos depois, foi devolvido à mãe, mas ela resolvera morar sozinha em Londres e o deixou com um cunhado no seu país natal. O tio o matriculou na Escola Kilkenny em 1673 e, simplesmente, se esqueceu dele. Em 1681, foi matriculado na Universidade de Trinity, conseguindo se diplomar depois de quase ter sido expulso. O tio morreu em 1688 e ele, na pobreza, partiu da Irlanda de novo para a Inglaterra.

Na capital inglesa, com a ajuda da mãe, conseguiu um trabalho de guarda-livros na propriedade do escritor e estadista William Temple. Mesmo entediado com o trabalho de contabilidade, ficou no local, com a chegada de Esther Johnson — que seria filha do patrão —, por quem viria a se apaixonar. Dedicou-lhe poemas, chamando-a de Stella, segundo a moda corrente de latinizar o nome da amada. Ambicioso, sempre procurou o aperfeiçoamento: em 1693, doutorou-se em teologia pela Universidade de Oxford e, pouco depois, com a ajuda do patrão, conseguiu o posto de cônego em Kilrooth, na Irlanda.

Longe da amada Stella, apaixonou-se por Jane Warring, a quem chamava de Varina e lhe dedicou poemas e juras de amor eterno. Mas a eternidade deste amor — talvez não correspondido — durou poucos meses. Em 1695, voltou à antiga propriedade onde fora guarda-livros. O ex-patrão escrevia um panfleto sobre a “batalha dos livros”, fatos literários que refletia as lutas políticas entre os whigs e os tories, dividindo os escritores entre “conservadores” e “modernizantes”. Promovido a secretário de William Temple, defendeu-o dos ataques dos “modernos”, na obra A Batalha dos Livros (1697), que satiriza as duas facções. Na mesma época, escreveu também O Conto do Tonel, um ataque à vida religiosa.

Em 1699, a morte de William Temple o deixou desempregado e o levou a partir em busca de novas proteções: pleiteou o cargo de deão de Derry, mas só conseguiu o de cônego de Dunlevin. Por isso, em 1701, estava de novo na Irlanda. Nesse período, publicou Discurso Sobre as Dissenções Entre Nobres e Comuns em Atenas e Roma, que continha uma alusão direta aos partidos ingleses e uma definição de sua posição ao lado dos whigs. Com isso, ganhou a proteção de estadistas, como Lord Halifax, e alguns ataques violentos por parte dos tories. Penetrando nos círculos literários, conseguiu publicar, em 1704, A Batalha dos Livros e O Conto de Tonel. Sua popularidade aumentou rapidamente e recebeu o apoio de escritores satíricos, como Alexander Pope, Richard Steele e Joseph Addison.

Em 1707, conheceu Esther van Homrigh (Vanessa), para quem escreveu Cadenus e Vanessa, poema que convidava a jovem a amá-lo platonicamente. Esther se recusou e lhe propôs um casamento normal. Acabaram brigando também por causa de sua ligação com Stella. Em 1710, começou a escrever o Diário de Stella — cartas-diário enviadas à amada (com quem se supõe tenha se casado secretamente) — que interromperia em 1713. Neste ano, conseguiu ser nomeado deão (dignidade eclesiástica logo abaixo do bispo) da Catedral de São Patrício, em Dublin.

Em 1726, apareceu Viagens Em Diversos Países Remotos do Mundo, Em Quatro Partes, Por Lemuel Gulliver, a Princípio Cirurgião e, Depois, Capitão de Vários Navios (no Brasil, simplesmente Viagens de Gulliver). Protegido pelo anonimato, expressou nesse livro toda a sua irônica misantropia. Num país de pigmeus, Gulliver descobre que facções políticas rivais discutem e lutam por ridículas ninharias. Numa terra de gigantes, tenta explicar ao rei as leis e instituições inglesas, mas suas palestras convencendo o monarca de que os ingleses são uma praga que assola a humanidade. Humilhado com isso e repugnado com as dimensões exageradas das pessoas, das feridas, das imundícies, dos insetos, Gulliver foge.

Ele chega a uma ilha onde sábios passam a vida teorizando, sem vínculos com a realidade cotidiana, vivendo na mais completa desorganização. Ouve dizer que ali existe uma casta de imortais e alegra-se ao pensar no quanto essa gente que vive há milênios poderia ensinar à humanidade. Mas descobre que essas pessoas apodreciam em vida, arrastando sua senilidade. A única civilização que merece seus elogios é a dos Houyhnhnm, onde os cavalos governam com sabedoria e os homens (pouco mais que macacos) se submetem. Os seus contemporâneos, sobretudo os poderosos, não lhe perdoaram a inversão de valores (animais dotados das virtudes que a humanidade se atribui e os homens cruelmente satirizados) com que ele atacava as instituições. E, de certa forma, as classes dominantes acabaram se vingando: amputado e submetido a filtragens, o livro reduziu-se a uma mera fonte de diversão para as crianças (que o autor jurava detestar).

Em 1729 — um ano após a morte de Stella —, tornou-se conhecido um panfleto, considerado um dos seus escritos mais veementes: Modesta Proposta Para Impedir que os Filhos dos Pobres da Irlanda Pesem Sobre Seus Pais e Seu País, Tornando-os Úteis ao Público. Para evitar a essas crianças a miséria e o desabrigo a que estavam condenadas; para poupá-las das doenças, agravadas pelo frio e pela fome, e dos vícios que vicejavam nas ruelas imundas; para salvá-las da solidão de futuros delinquentes perseguidos ou operários explorados horas a fio, o autor propunha separar 20 mil crianças de um total de 200 mil e reservá-las à procriação. As restantes, depois de bem nutridas, seriam aproveitadas para o progresso do país sob a forma de alimento.

A publicação chocou meio mundo, mas repercutiu como um grito de fúria do povo irlandês. A ironia do autor mostrava a que ponto a miséria pode atingir os homens, sob as vistas complacentes dos governantes. Dessa época, são também seus poemas mais escandalosos e escatológicos: O Quarto de Vestir da Dama; Estrefon e Cloé; Cassino e Pedro. Nos últimos anos de vida, sofreu de precária saúde, surdez e um acelerado processo de loucura. Morreu em outubro de 1745 e foi sepultado na Catedral de São Patrício. Ele próprio escreveu seu epitáfio: “Aqui jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poder mais dilacerar-lhe o coração. Segue, passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da liberdade”.


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