Diarios-da-Presidencia15aFernando Henrique Cardoso

11/10/2015 — A articulação política para a formação do governo. O necessário convívio com o fisiologismo. As intrigas palacianas. Os atritos com o Congresso Nacional. A negociação com os setores retrógrados. A reforma do estado. A solidão. Durante seus dois mandatos como presidente da república, Fernando Henrique Cardoso manteve o hábito quase semanal de registrar, num gravador, o dia a dia do poder. Os diários têm a franqueza das confissões deixadas para a posteridade. Neles transparecem as hesitações do cotidiano, os julgamentos duros de amigos próximos, os pontos de vista que mudam com os fatos, as afinidades que se criam e as que arrefecem.

Para o leitor, são não só uma janela aberta para a intimidade do poder como uma ferramenta valiosa para a compreensão do Brasil contemporâneo. Os registros orais do FHC foram transcritos por Danielle Ardaillon, curadora do acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, revistos pelo autor e pela editora, e serão organizados em quatro volumes bianuais (1995-1996; 1997-1998; 1999-2000; 2000-2002). O primeiro volume chegará às livrarias no dia 29 de outubro. Os dois primeiros anos compreendem quase noventa horas de gravação, decupadas a partir de quarenta e quatro fitas cassete, que renderam mais de novecentas páginas. A editora planeja concluir a publicação dos diários em meados de 2017.

fhc15bFernando Henrique Cardoso nasceu no dia 18 de junho de 1931, na cidade do Rio de Janeiro. Filho do general Leônidas Cardoso, morou em vários estados brasileiros, fixando-se, depois da adolescência, na cidade de São Paulo. Recebeu a instrução básica na sua cidade natal. Na capital paulista, cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, onde graduou-se em 1952. Especializou-se em sociologia. Foi professor na Faculdade de Economia da universidade entre 1952 e 1953, assumindo, depois, o cargo de docente na Faculdade de Sociologia. Recebeu o título de doutorado em 1961, passando à cátedra de Ciência Política.

Com o advento do regime militar, em 1964, teve de se exilar no Chile, onde ficou até 1967. Posteriormente, seguiu para a França, onde foi professor na Faculdade de Paris-Nanterre. Ainda no exílio, lecionou nas universidades de Stanford e Berkeley, nos Estados Unidos, e na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Durante esse período, publicou vários livros, que versam sobre a burocracia estatal, as elites industriais e, em particular, a teoria da dependência. Seu livro “A Teoria do Desenvolvimento” foi traduzido para dezesseis idiomas. Voltou para o Brasil em 1968, voltando à cátedra de Ciência Política na USP. No ano seguinte, foi aposentado compulsoriamente e perdeu os seus direitos políticos com a edição do Ato Institucional n.º 5.

fhc15cEm 1970, criou o Centro de Brasileiro de Análise e Planejamento. Proibido de lecionar no Brasil, passou novamente a ensinar no exterior. Politicamente, foi um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro em 1979. Saiu, assim, dos bastidores acadêmicos para entrar definitivamente na política. Em 1978, candidatou-se ao seu primeiro cargo eletivo. Teve 1,5 milhão de votos para o senado federal, tornando-se suplente do senador eleito, Franco Montoro. Em 1982, com a eleição do Montoro para governador de São Paulo, assumiu o cargo de senador da república. Em 1985, candidatou-se a prefeito de São Paulo, mas não logrou êxito. Foi reeleito senador em 1986, com 6,2 milhões de votos.

Em 1990, insatisfeito com os rumos do PMDB, reuniu-se ao Mário Covas, ao Franco Montoro e a outras lideranças para fundar o Partido da Social Democracia Brasileira. Em 1992, com o impeachment do Fernando Collor, assumiu o Ministério das Relações Exteriores no governo do Itamar Franco. Em 1993, com a crise econômica ainda grande, foi chamado para assumir o Ministério da Fazenda. No cargo, organizou a equipe que elaborou e colocou em prática o Plano Real, marco do combate à inflação. O sucesso do plano econômico lhe deu grande popularidade, o que o credenciou para a candidatura à presidência da república em 1994. Elegeu-se com 34,3 milhões de votos, 54,28% dos votos válidos. Foi reeleito em 1998, no primeiro turno, com 35,9 milhões de votos, 53,6% dos votos válidos.

fhc15dFernando Henrique é imortal
27/06/2013 — O sociólogo e ex-presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Ele recebeu 34 votos dos acadêmicos. Houve quatro votos em branco e uma abstenção. Ele concorria com outros onze candidatos, mas nenhum deles recebeu votos. Fernando Henrique vai ocupar a cadeira 36, que estava vaga desde a morte do João de Scantimburgo, no dia 22 de março. O ex-presidente tem 82 anos. Ele acaba de lançar um novo livro (Pensadores Que Inventaram o Brasil), com ensaios sobre Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, Florestan Fernandes e outros autores. O Lula deve estar morrendo de inveja.


 

 


© 2017 Tio Oda - Todos os direitos reservados