Serafim
Ponte Grande
O romance “Serafim Ponte Grande” do autor paulista Oswald de Andrade foi lançado originalmente em 1933. A obra recebeu o aplauso da crítica literária da época e fez relativo sucesso de público. Não ganhou uma adaptação tradicional direta para o cinema, mas integrou como referência o filme “O Homem do Pau-Brasil”, trama do Joaquim Pedro de Andrade de 1981. Antes disso, o cineasta Arthur Omar realizou um curta-metragem experimental sobre a obra na década de 1970. Trata-se de um “romance-invenção”. Ele radicaliza o modernismo brasileiro. Mistura diário, poesia e sátira.
Funcionário do serviço público sanitário, o Serafim Ponte Grande convive com personagens singulares, que se desviam dos padrões dominantes. A própria identidade dele é fluida e indigna de confiança. Apaixona-se por uma mulher que o despreza. Viaja pela Europa e pelo Oriente e, ao retornar, decepciona-se com o país que encontra. O pano de fundo é a revolução de 1924. A cidade está conflagrada, a ordem ameaçada. Nesse ambiente propício a toda sorte de transgressões, é que o Serafim rouba o dinheiro que os revolucionários haviam deixado com um dos seus filhos, mata o chefe da sua repartição e foge para a Europa num transatlântico. O romance, segundo a crítica, é caótico vibrante. O autor despreza a coerência narrativa e exercita a arte da paródia.
Autor
JOSÉ OSWALD DE SOUSA ANDRADE nasceu no dia onze de janeiro de 1890 e morreu no dia 22 de outubro de 1954 na cidade de São Paulo. Foi a figura-chave do movimento modernista brasileiro. Um dos promotores da Semana de Arte Moderna de 1922, ficou conhecido pelo temperamento irreverente e combativo. Interessou-se pela literatura ainda na adolescência. Escreveu manifestos, poesia, romances e teatro. Os romances foram seis: “Os Condenados” (1922), “Memórias Sentimentais do João Miramar” (1924), “Serafim Ponte Grande” (1933), “Índio Amba” (1939), “Marco Zero” 1943) e “Marco Zero 2” (1945). Entre os manifestos, destaca-se o “Manifesto Antropófago” (1928).