nobel-lista1Maior Número de Franceses

O Nobel de Literatura é um prêmio concedido anualmente desde 1901. É atribuído a um autor de qualquer nacionalidade que tenha produzido o mais destacado trabalho numa direção ideal O “trabalho” referido significa a obra inteira do escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo e suas filosofias, não distinguindo uma obra em particular. A Academia Sueca é quem escolhe o vencedor e o anuncia no começo do mês de outubro de cada ano. Para muitos, é esse o maior e mais distinto prêmio que um escritor ou uma escritora pode receber dentro do ramo da literatura. Dois dos ganhadores com o prémio recusaram-no: Boris Pasternak (1958), por forte pressão do governo soviético, e Jean-Paul Sartre (1964), que alegou que a sua aceitação implicaria perder a sua identidade de filósofo. O site levou em consideração a nacionalidade dos escritores.

Ganhadores/País
1901 — Sully Prudhomme (França)
1902 — Theodor Mommsen (Alemanha)
1903 — Bjørnstjerne Bjørnson (Noruega)
1904 — José Echegaray (Espanha)
1904 — Frédéric Mistral (França)
1905 — Henryk Sienkiewicz (Polônia)
1906 — Giosuè Carducci (Itália)
1907 — Rudyard Kipling (Inglaterra)
1908 — Rudolf Eucken (Alemanha)
1909 — Selma Lagerlöf (Suécia)
1910 — Paulo von Heyse (Alemanha)
1911 — Maurice Maeterlinck (Bélgica)
1912 — Gerhart Hauptmann (Alemanha)
1913 — Rabindranath Tagore (Índia)
1914 — (Não foi atribuído)
1915 — Romain Rolland (França)
1916 — Verner von Heidenstam (Suécia)
1917 — Karl Adolph Gjellerup (Dinamarca)
1917 — Henrik Pontoppidan (Dinamarca)
1918 — Não foi atribuído
1919 — Carl Spitteler (Suíça)
1920 — Knut Hamsun (Noruega)
1921 — Anatole France (França)
1922 — Jacinto Benavente (Espanha)
1923 — William Butler Yeats (Irlanda)
1924 — Władysław Reymont (Polônia)
1925 — George Bernard Shaw (Irlanda)
1926 — Grazia Deledda (Itália)
1927 — Henri Bergson (França)
1928 — Sigrid Undset (Noruega)
1929 — Thomas Mann (Alemanha)
1930 — Sinclair Lewis (Estados Unidos)
1931 — Erik Axel Karlfeldt (Suécia)
1932 — John Galsworthy (Inglaterra)
1933 — Ivan Bunin (Rússia)
1934 — Luigi Pirandello (Itália)
1935 — Não foi atribuído
1936 — Eugene O'Neill (Estados Unidos)
1937 — Roger Martin du Gard (França)
1938 — Pearl S. Buck (Estados Unidos)
1939 — Frans Eemil Sillanpää (Finlândia)
1940 — Não foi atribuído
1941 — Não foi atribuído
1942 — Não foi atribuído
1943 — Não foi atribuído
1944 — Johannes Jensen (Dinamarca)
1945 — Gabriela Mistral (Chile)
1946 — Herman Hesse (Alemanha)
1947 — André Gide (França)
1948 — T. S. Eliot (Estados Unidos)
1949 — William Faulkner (Estados Unidos)
1950 — Bertrand Russell (País de Gales)
1951 — Pär Lagerkvist (Suécia)
1952 — François Mauriac (França)
1953 — Winston Churchill (Inglaterra)
1954 — Ernest Hemingway (Estados Unidos)
1955 — Halldór Laxness (Islândia)
1956 — Juan Ramón Jiménez (Espanha)
1957 — Albert Camus (Argélia)
1958 — Boris Pasternak (Rússia)
1959 — Salvatore Quasimodo (Itália)
1960 — Saint-John Perse (França)
1961 — Ivo Andrić (Bósnia Hezergovina)
1962 — John Steinbeck (Estados Unidos)
1963 — Giórgos Seféris (Grécia)
1964 — Jean-Paul Sartre (França)
1965 — Michail Sholokhov (Rússia)
1966 — Shmuel Yosef Agnon (Israel)
1966 — Nelly Sachs (Alemanha)
1967 — Miguel Ángel Asturias (Guatemala)
1968 — Yasunari Kawabata (Japão)
1969 — Samuel Beckett (Irlanda)
1970 — Alexander Soljenítsin (Rússia)
1971 — Pablo Neruda (Chile)
1972 — Heinrich Böll (Alemanha)
1973 — Patrick White (Austrália)
1974 — Eyvind Johnson (Suécia)
1974 — Harry Martinson (Suécia)
1975 — Eugenio Montale (Itália)
1976 — Saul Bellow (Estados Unidos)
1977 — Vicente Aleixandre (Espanha)
1978 — Isaac Bashevis Singer (Polônia)
1979 — Odysséas Elýtis (Grécia)
1980 — Czesław Miłosz (Polônia)
1981 — Elias Canetti (Bulgária)
1982 — Gabriel García Márquez (Colômbia)
1983 — William Golding (Inglaterra)
1984 — Jaroslav Seifert (República Tcheca)
1985 — Claude Simon (França)
1986 — Wole Soyinka (Nigéria)
1987 — Joseph Brodsky (Rússia)
1988 — Naguib Mahfouz (Egito)
1989 — Camilo José Cela (Espanha)
1990 — Octavio Paz (México)
1991 — Nadine Gordimer (África do Sul)
1992 — Derek Walcott (Ilha de Santa Lúcia)
1993 — Toni Morrison (Estados Unidos)
1994 — Kenzaburo Oe (Japão)
1995 — Seamus Heaney (Irlanda)
1996 — Wisława Szymborska (Polônia)
1997 — Dario Fo (Itália)
1998 — José Saramago (Portugal)
1999 — Günter Grass (Alemanha)
2000 — Gao Xingjian (China)
2001 — Vidiadhar Naipaul (Trinidad e Tobago)
2002 — Imre Kertész (Hungria)
2003 — J.M. Coetzee (África do Sul)
2004 — Elfriede Jelinek (Áustria)
2005 — Harold Pinter (Inglaterra)
2006 — Orhan Pamuk (Turquia)
2007 — Doris Lessing (Irã)
2008 — Jean-Marie Le Clézio (Ilhas Maurício)
2009 — Herta Müller (Romênia)
2010 — Mario Vargas Llosa (Peru)
2011 — Tomas Tranströmer (Suécia)
2012 — Mo Yan (China)
2013 — Alice Munro (Canadá)
2014 — Patrick Modiano (França)


serge-haroche in19 de outubro de 2012
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A Academia Real de Ciências da Suécia concedeu o Prêmio Nobel de Física deste ano para o francês Serge Haroche e para o americano David J. Wineland (abaixo) pelos experimentos que permitiram medir e manipular partículas quânticas sem destruí-las. A física quântica estuda as partículas mais fundamentais da física — menores que os átomos e os prótons. De lados opostos do Oceano Atlântico, os dois pesquisadores inventaram métodos capazes de medir essas partículas ao mesmo tempo em que elas mantinham suas características quânticas – o que se pensava impossível. As duas pesquisas abriram portas para uma nova era de experimentos, possibilitaram o desenvolvimento de novas tecnologias e ajudaram na compreensão de nosso mundo em uma escala minúscula.

Na escala quântica, as partículas individuais de luz e matéria, se comportam de maneira diferente, e as leis da física clássica deixam de valer. Efeitos bizarros da física quântica, como a capacidade das partículas apresentarem dois estados diferentes ao mesmo tempo, não eram capazes de ser observados diretamente, uma vez que essas partículas perdiam essas características assim que interagiam com o mundo externo. Desse modo, esses fenômenos só podiam ser previstos a partir de experimentos mentais e conjecturas teóricas. As pesquisas dos dois cientistas, que estudam a interação entre luz e matéria, foram capazes de medir algumas dessas características pela primeira vez.

david-wineland in1O estudo de Wineland se baseou na natureza dos íons, átomos eletricamente carregados. O físico usou campos elétricos para manter as partículas aprisionadas no vácuo, longe da radiação e de altas temperaturas. Com um laser, ele conseguiu controlar o estado energético dos íons, permitindo o estudo de fenômenos quânticos dentro do mecanismo. O laser pode, por exemplo, colocar a partícula no estado de superposição, em que ocupa dois níveis energéticos ao mesmo tempo.

Já a pesquisa de Haroche se focou no comportamento dos fótons, as partículas de luz. Em seu laboratório, ele usou dois espelhos, com três centímetros de distância entre eles, para aprisionar um fóton. Em uma etapa seguinte do experimento, o cientista lançou um átomo em forma de rosca pela cavidade entre os espelhos. Esse átomo foi alterado pela interação com o fóton, e, pela análise de seu estado após atravessar a cavidade, os pesquisadores podem saber se a partícula de luz está presente no experimento ou não. Pela primeira vez, ele foram capazes de medir um fóton sem destruí-lo.

Os métodos inovadores desenvolvidos pelos ganhadores do Nobel permitiram o início do desenvolvimento de duas novas tecnologias. A primeira, que ainda se encontra muito longe de ser colocada em prátia, é o computador quântico. Na teoria, ele permitiria velocidades muito maiores do que as das máquinas de hoje em dia. Os pesquisadores esperam que ele seja desenvolvido ainda neste século, e afete nossa vida do mesmo modo que o computador pessoal mudou o dia a dia das pessoas no século XX. Outra aplicação, essa já atingida em laboratório, foi o desenvolvimento dos chamados relógios óticos, 100 vezes mais precisos do que os relógios atômicos usados hoje, que podem se tornar a base para um novo padrão de contagem de tempo.

john-b-gurdon in19 de outubro de 2012
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O veterano britânico John Gurdon, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2012 por ter revolucionado seu campo com trabalhos sobre a reprodução celular, começou a estudar biologia quase por acaso, depois de ter sido considerado sem aptidão para as ciências. Nascido no dia 2 de outubro de 1933, numa cidade pequena do sul da Inglaterra, se interessou desde cedo por insetos. Seu pai, no entanto, desejava que ele fosse militar. Felizmente para o jovem, ele foi recusado pelo Exército quando um médico diagnosticou um simples resfriado como bronquite. Isto eliminou qualquer possibilidade de fazer carreira militar.

Os primeiros passos no mundo acadêmico científico, quando tinha 15 anos, também foram considerados um fracasso. O professor de biologia escreveu um relatório que dizia: “Acredito que Gurdon tem a pretensão de virar um cientista. Dados os resultados atuais, é bastante ridículo. Se não pode aprender simples dados científicos, não tem nenhuma possibilidade de fazer o trabalho de um especialista”, lembrou o cientista, que afirma conservar o texto em seu escritório. Depois do revés inicial, quando chegou o momento de tentar uma vaga em uma universidade, apresentou o pedido de matrícula em Oxford para estudar Letras Clássicas. A surpresa veio quando foi chamado para uma vaga de Ciências, depois que um erro administrativo abriu vagas neste curso.

Em 1962, dois anos depois de obter o doutorado em Biologia e antes de completar 30 anos, fez sua descoberta mais importante. Ao realizar testes com rãs, demonstrou que o material genético das células não é irreversível. Ao contrário do que se pensava até então, as células mantinham toda a informação genética original e podiam ser reprogramadas. Apesar de, na época, o termo ainda não ser utilizado, é considerado por muitos o “padrinho” da clonagem, que mais de 30 anos depois resultaria na famosa ovelha Dolly. Foi este avanço que lhe rendeu o Nobel de Medicina, compartilhado com o japonês Shinya Yamanaka, que levou a reprogramação nuclear um passo além. Suas descobertas, segundo o Comitê Nobel, “revolucionaram nossa compreensão sobre a maneira como se desenvolvem as células e os organismos”.

Aos 79 anos, Gurdon se declarou “imensamente agradecido, mas também espantado” com o reconhecimento de um trabalho feito há muito tempo. No último meio século, não interrompeu suas atividades. Após uma breve passagem pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), retornou a Oxford e, em 1972, passou para a universidade rival, Cambridge, para iniciar uma unidade de embriologia molecular. Com o passar dos anos, a unidade evoluiu e virou a Wellcome/CRC Institute for Cell Biology and Cancer, antes da universidade decidir rebatizar o local com o nome do cientista. Entre outras honras, ele é membro da prestigiosa Royal Society e recebeu o título de cavaleiro em 1995 das mãos da rainha Elizabeth II.


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