Bagaceira

capaO romance “A Bagaceira” foi lançado originalmente em 1928 pela Editora José Olympio. É considerado o marco inicial do romance regionalista do Modernismo brasileiro. Escrito pelo José Américo de Almeida, o livro tem como ambiente o semiárido do Estado da Paraíba. O texto retrata o cenário de latifúndios, o coronelismo, a seca e o êxodo de retirantes. Tem como pano de fundo a fome, a migração e o sofrimento humano no Nordeste, além das relações precárias de trabalho e o poder violento dos coronéis. O tema central gira em torno do triângulo amoroso entre a Soledade, o Lúcio e o Dagoberto. O livro introduziu o tema da seca na literatura brasileira. Foi a primeira manifestação do regionalismo.

O autor se inspirou num episódio real: a grande seca que aconteceu no Nordeste em 1898. Conta a história do amor impossível entre o Lúcio, o filho de um latifundiário, e a retirante Soledade. O moço representa a riqueza da cidade e a moça a vida miserável do campo. Ainda tem o Dagoberto, o latifundiário e pai do Lúcio. Ele representa a velha oligarquia rural e o poder violento dos proprietários de terras. Explora os retirantes da seca e dá em cima da Soledade. Destacam-se ainda a linguagem coloquial, o apreço por questões da realidade e a descrição apurada da paisagem açucareira, além de um retrato delicado do caráter do homem nordestino. Para a televisão, o romance foi adaptado pela TV Globo em 2002. No cinema, a melhor versão é uma de 1976, trabalho dirigido pelo Paulo Thiago.

americoAlmeida
JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA nasceu no dia dez de janeiro de 1887 na cidade de Areia no Estado da Paraíba. Morreu no dia dez de março de 1980 na cidade de João Pessoa no mesmo estado. Formado em Direito, foi sucessivamente promotor público, procurador-geral do estado, interventor no estado, ministro da viação e obras públicas e ministro do Tribunal de Contas da União. Como escritor lançou o primeiro romance, o “Reflexões de Uma Cabra”, em 1922. Seguiram-se mais onze romances. O último deles, o “Sem Me Rir, Sem Chorar”, saiu postumamente em 1984. Foi o quinto ocupante da cadeira número trinta e oito da Academia Brasileira de Letras.


 

 

 



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