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NIKOLAI VASSILIÉVITCH GÓGOL nasceu no dia 20 de março de 1809, na localidade de Sorotchinsky, Ucrânia. Morreu no dia 21 de fevereiro de 1852, na cidade de Moscou, Rússia.

De família patriarcal de cossacos, viveu até os doze anos na pequena propriedade paterna de Vasilievka. A Ucrânia, com seu folclore, seria sua primeira fonte de inspiração. A personalidade de sua mãe exerceu sobre ele considerável influência religiosa e moral, da qual nunca se libertaria. Em dezembro de 1821, mudou-se para São Peterburgo, com a intenção de conquistar a glória literária. Mas seu poema romântico Hans Kuechelgarten, que publicou em 1829, sob o pseudônimo de V. Avlov, foi mal acolhido pelos críticos. Descontente com isso e também com sua obra, queimou-a.

Pensou em emigrar para os Estados Unidos, mas não passou da Alemanha. Retornando para Moscou, foi obrigado, para ganhar a vida, a conseguir lugar como funcionário na administração pública. Em 1831, foi nomeado professor de história do Instituto Patriótico para Moças. Seu talento de prosador se revelou nas novelas Vigílias da Ucrânia (dois volumes em 1831 e 1832), inspiradas em canções e lendas de sua província natal. Conheceu Alexandr Pushkin, que o influenciou ao lhe dar os temas de O Inspetor Geral e de As Almas Mortas. Nomeado professor de história da Idade Média na Universidade de São Petersburgo, pouco depois abandonou a cátedra (1834/1835) e continuou a sua vida literária.

Uma nova coleção de novelas — Os Arabescos (1835) — era composta por O Retrato, A Perspectiva Névski e Diário de Um Louco. Neste último aparece o problema crucial de toda a sua obra: o mal, o diabo em sua verdadeira natureza humilhante e invejosa, que aniquila o personagem. Este é um pequeno funcionário ridicularizado, que nunca teve a palavra, a quem ninguém pergunta nada, e que só encontra remédio para o seu mal no orgulho da demência. Outras novelas foram unidas na coletânea Mirgorod (1835), de inspiração ucraniana. Entre estas, a mais importante é Taras Bulba. O humor amargo e sarcástico do autor já sem manifestara em O Nariz (1833) e iria se apresentar totalmente livre em O Inspetor Geral (1836), sátira violenta aos funcionários russos das províncias.

Esta obra foi denunciada por inúmeros críticos como uma ofensa à ordem. O autor se defendeu: queria condenar os vícios, não as instituições. Mas se sentiu incompreendido, caluniado e traído por todos. Nem mesmo o sucesso da encenação foi suficiente para encorajá-lo e lhe restituir a autoconfiança. Assim, partiu imediatamente para o estrangeiro: Alemanha, Suíça, França e Itália. Retornou a Moscou, mas, atacado por uma desconfiança doentia, pouco depois tornava a viajar. Em 1841, publicou a novela O Capote, que exerceu imensa influência na literatura russa e inaugurou a época do Realismo naquele país. Em setembro de 1841, quando acabara a primeira parte de As Almas Mortas, retornou à capital russa para publicá-la. Mas suas esperanças logo se transformaram em raiva: o comitê moscovita de censura, ao qual enviara o manuscrito, o recusou.

taras-bulba p1Seus amigos intervieram. Após algumas modificações, o livro foi publicado com o título As Aventuras de Tchitchikov ou As Almas Mortas (1842). As obra foi muito criticada e o autor novamente se magoou profundamente. Sua publicação coincidiu, em sua vida, com uma crise de misticismo doentio. Passava os dias estudando os evangelhos, a se interrogar sobre a necessidade de entrar para um convento e fazendo projetos de uma viagem a Jerusalém. De repente, fugiu de São Petersburgo para se refugiar em Roma, onde publicou Extratos de Uma Correspondência com meus Amigos (1847), apologia dos aspectos mais reacionários da política czarista. A obra provocou uma indignação quase geral. Recebeu críticas, inclusive, de seus amigos mais próximos.

Foi nesse estado de ânimo que queimou alguns capítulos já escritos da segunda parte de As Almas Mortas, à qual se dedicava havia cinco anos. Partiu para uma peregrinação a Jerusalém, mas voltou decepcionado. Confiou seu estado de ânimo ao padre Matvei Konstantinovski, extremista que se tornara seu mentor espiritual e que exerceria total influência sobre ele. Lançou-se novamente aos trabalhos literários, mas acreditava cada vez menos no sucesso de seu empreendimento. A partir de 1849, passou por estados extremos de exaltação e depressão, resultado do agravamento de sua saúde psíquica. Morreu em 1852, depois de queimar o manuscrito completo de As Almas Mortas. Suas novelas foram fartamente adaptadas para o cinema, com destaque para Taras Bulba, em 1962, com Tony Curtis e Yul Brynner.

 

 


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