biografia18Rasputin & Romanov

09/11/2018 — A editora Companhia das Letras lançou a obra “Rasputin”, com o subtítulo “Fé, Poder e Declínio dos Romanóv”. Escrito pelo historiador americano Douglas Smith, o livro mostra toda a complexidade da personalidade do Gregório Rasputin, que muito influenciou o reinado do czar Nicolau II, da Rússia. O biografado era visto por muitos como místico, visionário e profeta, mas, por outros, como charlatão. Passou para a história, entretanto, como uma das figuras mais importantes do seu país, no final do Século 19 e no início do Século 20. Os jornais americanos The Washington Post e The Wall Street Journal, em suas resenhas, apresentaram a obra como a biografia definitiva do Rasputin.

20181113Gregório Rasputin
GRIGORI YEFIMOVITCH NOVIKH nasceu no dia 21 de janeiro de 1869, na cidade de Pokrovskoye, Estado de Tyumen, Rússia. Morreu no dia 30 de dezembro de 1916, na cidade de São Petersburgo. De origem camponesa, ligou-se na juventude à seita dos frajelantes. Semi-analfabeto, mas extremamente astuto e dotado de grande magnetismo pessoal, afirmava agir sob inspiração divina. Dizia-se capaz de operar milagres, insistindo em que o contato com o seu corpo surtia efeito curativo e purificador. Com isso, dava vazão ao seu insaciável apetite sexual, o que lhe valeu o apelido de “Rasputin” (“devasso” em português). Chegou a São Petersburgo em 1903, apresentando-se como peregrino.

Dizendo ser “santificado”, fez-se amigo de importantes dignitários da igreja ortodoxa e de membros da aristocracia. Conseguiu se introduzir na decadente corte do czar Nicolau II, graças às suas propaladas qualidades de dramaturgo e de hipnotizador. Participou, ainda, de inúmeras intrigas políticas pessoais, as quais agitaram a nobreza russa da época. Exerceu, a partir de 1905, enorme influência sobre a czarina Alexandra Feodovna, em especial sob o pretexto de que podia zelar pela saúde do herdeiro do trono, Alexandre, portador de hemofilia. A czarina o considerava um enviado de Deus, mandado para salvar a Dinastia Romanov. Convenceu o próprio czar de que era mais importante ouvir as opiniões dele, um mujique, do que a dos conselheiros da corte, autoproclamando-se porta-voz do povo.

Abusando da impunidade que lhe dava a família imperial e praticando em larga escala a corrupção e o suborno, tornou-se uma figura odiada por grande parte da nobreza. Após escapar de um atentado em 1914, passou a ter grande poder de decisão em relação às questões internas do governo, principalmente depois que Nicolau II resolveu assumir o comando das tropas russas na frente de guerra em 1915. Ele se opunha à guerra, pois esta, na sua opinião, constituía uma ameaça à família Romanov e, por conseguinte à sua privilegiada posição. Seus atos, contudo, prejudicavam o funcionamento da máquina administrativa governamental. Sua posição política começou a se agravar quando tentou interferir no funcionamento da Assembleia Nacional. Os grupos de extrema direita passaram a tramar a sua morte. Acabou sendo assassinado por dois parentes do czar. Posteriormente, o príncipe Félix Issupov escreveu um livro em que relata e procura justificar o assassínio do Gregório Rasputin.

 

 



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