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José de Alencar, o escritor inimigo do rei

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Biografia do romancista cearense José de Alencar, escrita pelo jornalista Lira Neto (foto, também cearense) e publicada pela primeira vez em 2006, pela Editora Globo. O livro enfatiza o aspecto mais incendiário do escritor, que vivia em polêmica com os meios político e cultural de seu tempo. Tinha, aliás, uma briga particular com o imperador Dom Pedro II, daí o título da obra. Os críticos consideram o livro útil e agradável para o leitor menos familiarizado com a literatura que era praticada no século XIX.

A obra conta o engajamento de José de Alencar, que criava personagens índios idealizados (O Guarani, Iracema e Ubirajara), e disseca o monarquista convicto que vivia, contraditoriamente, criticando o imperador. Conta o livro que o primeiro enfrentamento com o imperador se deu em 1856, quando o diplomata Gonçalves de Magalhães lançou o livro A Confederação dos Tamoios. Esta obra ganhou a aprovação oficial do imperador, que encontrou nela uma espécie de fundação literária da nação.

José de Alencar não se conformou. Em artigos assinados no jornal O Diário (Rio de Janeiro) acusou o livro de Gonçalves de Magalhães de ser uma obra frouxa demais para ser considerada representativa da identidade nacional. O próprio Dom Pedro II saiu em defesa da Confederação dos Tamoios, também em artigos publicados na imprensa. Em seguida, o escritor cearense ainda afrontou o imperador ao recusar uma comenda (1867). Ao mesmo tempo, porém, escrevia uma peça dedicada à imperatriz Tereza Cristina, intitulada Demônio Familiar. A biografia envereda também pelas mesquinharias políticas perpetradas por José de Alencar durante o seu mandato de deputado. Revela um antiabolicionista, que atacou ferozmente a Lei do Ventre Livre (1871), que garantia a liberdade aos filhos dos escravos. Quanto à literatura, porém, o cearense passou para a posteridade como o maior romancista brasileiro de todos os tempos.


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