dictator17Cícero & Júlio César

26/10/2017 — Já está nas livrarias a obra “Dictator”, do inglês Richard Harris. Trata-se do último volume da “Trilogia do Cícero”, uma biografia romanceada do tribuno romano Marco Túlio Cícero. Neste livro, aos 48 anos, Cícero — o maior orador da sua época — está no exílio, com seu poder político sacrificado no altar de seus princípios. A única maneira de retornar a Roma é prometendo apoio a um inimigo carismático e perigoso: Júlio César. Aproveitando sua astúcia nos jogos políticos, seu intelecto incomparável e o puro brilhantismo de suas palavras, o tribuno faz uso de todos os seus artifícios para retomar seu lugar de prestígio no senado romano. Os volumes anteriores — “Impérium” e “Lustrum” — foram lançadas em 2006 e 2009, respectivamente.

cicero in1Cícero
MARCO TÚLIO CÍCERO, tribuno e político romano, nasceu no dia 3 de janeiro de 106 antes do Cristo, na cidade de Arpino, Itália. Morreu no dia 7 de dezembro de 43 antes do Cristo, na cidade de Formia. Estreou no foro no ano de 81 antes do Cristo. No ano seguinte, ganhou a sua primeira causa importante. Foi então à Grécia, onde se aperfeiçoou com mestres da retórica, retornando a Roma quando da morte do poderoso ditador Lúcio Cornélio Sila. Começou aí a carreira política. Foi questor (interventor) na Sicília no ano de 75 antes do Cristo, onde um importante acontecimento judiciário lhe assegurou a glória: o processo contra Caio Verres, o governador comissionado da ilha.

Ele foi advogado dos sicilianos e conseguiu a condenação do governador, que era defendido pelo Hortênsio, o orador mais reputado na época. De temperamento moderado e oportunista, demonstrou também grande energia em suas funções como cônsul, no ano de 63 antes do Cristo, para sufocar a conjuração do Lúcio Sérgio Catilina. Dessa maneira, salvou por algum tempo a república oligárquica. Chocou-se, porém, com a intransigência política do seu colega de consulado, Catão Uticense. Em seguida, o triunvirato o abandonou aos inimigos políticos. Públio Clódio Pulcro, o outro cônsul, o forçou ao exílio no ano de 58 antes do Cristo. Depois de 16 meses, porém, foi chamado de volta. Seu retorno foi triunfal. Entretanto, já sem ilusões quanto ao futuro do regime, dedicou-se por alguns anos à oratória e a sua obra literária.

Contribuiu também para a aproximação do Cneu Pompeu, o futuro cônsul, com o partido oligárquico. Após ter sido governador da Sicília entre 51 e 50 antes do Cristo, retornou à Itália, onde se desenvolvia uma guerra civil entre os partidários do Pompeu e do Júlio César. Aliou-se, não sem hesitação ao primeiro, retirando-se prudentemente da política após a derrota da Farsália no ano de 48 antes do Cristo. Perdoado pelo Júlio César — o vencedor —, aproximou-se do novo poderoso, ficando, porém, à sua sombra, cheio de rancor. Mas o assassinato do ditador reanimou suas esperanças. Como chefe do partido senatorial, atacou violentamente Marco Antônio na obra Filípicas em 44 antes do Cristo, colocando-se ao lado do Otávio César, na ilusão de se servir da juventude deste para restabelecer o antigo regime.

Mas Otávio uniu-se ao Antônio, formando com este e com o Marcus Emílio Lépido o segundo triunvirato. Iniciaram-se as proscrições e ele foi um dos primeiros a cair, degolado pelos soldados do Antônio. Sua cabeça e mãos foram cortadas e expostas. Censurou-se a sua falta de caráter, mas não se pode contestar a sinceridade e o seu patriotismo — e menos ainda seus dons intelectuais. Orador de primeira grandeza, foi também um pensador que muito contribuiu para a difusão da filosofia grega em Roma. Seus discursos principais foram: “Verrinas” (70 a.C.) e “Catilinárias” (63 a.C.). Escreveu obras sobre retórica: “Da Invenção” (84 a.C.) e “Da Oratória” (55 a.C.) e outras. Entre as obras de cunho filosófico, estão: “Da República” (54 a.C.) e “Das Leis” (52 a.C.). Deixou também imensa correspondência, importantes documentos da vida política e da sociedade romana no último período da república.


 

 

 



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