os miseraveis1Les Misérables

18/03/2018 — Já está nas livrarias uma nova edição do clássico “Os Miseráveis”, do francês Victor Hugo. A edição, lançada pela Editora Plêiade, tem coordenação do Henri Scepi, um dos grandes especialistas da literatura francesa do Século XIX. Na introdução, fica-se sabendo que o autor hesitou por muito tempo até se decidir pelo título. No início, ficou entre “Les Misères" (“As Misérias” ou “As Penúrias”, numa tradução literal), ou, ainda, “Jean Tréjean”, nome do herói da narrativa. À medida que a história se desenvolvia, o Jean  mudou de identidade, transformando-se em Jean Valjean, até se tormar um ex-detento condenado que vira um santo laico.  Quando começou a escrever o livro em 1845, o autor era membro da Academia Francesa e já tinha recebido o título de “par da França”, concedido pelo rei Filipe I.

Os eventos da Insurreição de Fevereiro de 1848 e, depois, as Jornadas de Junho obrigaram-no a deixar a escrita. Eleito deputado em junho de 1848 e reeleito em maio de 1849 nas fileiras conservadoras, Victor Hugo foi se afastando pouco a pouco do seu campo político até denunciar, em 2 de dezembro de 1851, o golpe de estado do Luís-Napoleão Bonaparte. Perseguido pela polícia, viu-se forçado ao exílio, tornando-se um desterrado. Encontrou abrigo na cidade de Bruxelas, Bélgica, e, depois, na cidade de Jersey, antes de se instalar na cidade de Guernesey. Os rascunhos do “Os Miseráveis” esperavam em caixas de papelão. No exílio ainda escreveu as obras “Castigo”, “Contemplações” e “A Lenda dos Séculos”. Anistiado, retomou a redação do “Os Miseráveis” em abril de 1860, quinze anos após ter começado. O livro foi, enfim, publicado em Bruxelas por uma editora belga, em março de 1862.

O texto publicado pela Editora Pléiade se baseia nesta edição original. Além do texto impressionante, o volume, de 1.824 páginas, é enriquecido com um “Atelier dos Miseráveis”, no qual foram reunidos os prefácios e projetos de prefácio redigidos pelo autor, assim os diferentes manuscritos, os quais permitem apreciar a evolução da obra ao longo da composição. Esse “atelier” também apresenta páginas descartadas do manuscrito e cenas (ou capítulos) que não permaneceram na edição publicada. Uma seção intitulada “Imagens dos Miseráveis”, sob a direção do Dominique Moncond'huy, apresenta desenhos inspirados no romance e faz um inventário completo das adaptações da obra para o cinema e para o teatro. Entre essas adaptações está o musical lançado em 2012, com direção do Tom Hooper e com o australiano Hugh Jackmann (“X-Men”) no papel do Jean Valjean.

victorhugo in1Victor Hugo
VICTOR-MARIE HUGO nasceu no dia 26 de fevereiro de 1802, na cidade de Besançon. Morreu no dia 22 de maio de 1885, na cidade de Paris.

Filho de Joseph Hugo, general do exército de Napoleão Bonaparte, passou a infância em diversos pontos da Europa, até que, atingindo a idade escolar, foi enviado ao Liceu Louis-le-Grand, onde estudou até 1818. Desde cedo se mostrou decidido a seguir a carreira literária. Em 1819, fundou O Conservador Literário, revista de tendências monarquistas e católicas, e escreveu a Ode Sobre o Duque de Berry (1820). Com esse poema, caiu nas graças da aristocracia, acabando por receber um prêmio em dinheiro das mãos do rei Luís XVIII. Dois anos mais tarde, com a publicação primeiro livro, Odes e Poesias Diversas, recebeu uma pensão do Estado, o que lhe possibilitou se casar com Adele Foucher, sua namorada de infância.

Ao sucesso do primeiro livro de poesias, seguiu-se, no ano seguinte, a publicação de seu primeiro romance, Han de Islândia (1823), um trabalho na linha romance negro, muito em voga na época. Passando a frequentar a casa do escritor Charles Nodier, veio a conhecer Alfred de Vigny e Alphonse Lamartine. Pouco depois, em 1826, publicou dois novos livros: o romance de aventuras Bug-Jargal, moldado no estilo de Walter Scott, e os poemas Odes e Baladas, com temática que se reportava à Idade Média. Em 1827, publicou a primeira peça teatral, Cromwell, em cujo prefácio assumiu a posição de chefe do Romantismo

victorhugo in2Como dramaturgo, opunha-se ao Classicismo, defendendo o drama “moderno” com a coexistência do sublime e do grotesco. Sua peça seguinte, Marion Delorrne (1829), não pôde ser encenada devido a problemas com a censura. No curso de 1830, com Hernani, conseguiu finalmente a consagração teatral. Ainda sob os efeitos desse sucesso, produziu uma de suas obras-primas: o romance Notre Dame de Paris (1831). A década, iniciada de maneira tão promissora, foi de produção fértil: em prosa, O Rei se Diverte (1832), Lucrécia Bórgia (1833), Maria Tudor (1833), Ângelo, o Tirano de Pádua (1835) e Ruy Blás (1835). Na poesia, Folhas de Outono (1831), Cantos do Crepúsculo (1835), As Vozes Interiores (1837) e Luzes e Sombras (1840).

Sua participação na revolução popular de 1848 e o combate que fez, posteriormente, a Napoleão III, levaram-no ao exílio em 1851. O longo afastamento (vinte anos) constituiu um de seus períodos mais férteis: na poesia destacaram-se Os Castigos (1853), As Contemplações (1856), Legenda dos Séculos (1859) e Canções das Ruas e dos Bosques (1865); quanto à prosa, publicou os romances: Os Miseráveis (1862), Os Trabalhadores do Mar (1866) e O Homem que Ri (1869). Retomou à França em 1870 e, a partir de então, exerceu intensa atividade política e literária. Escreveu ainda: Enterros Civis (1875), Atos e Palavras (1876), A Arte de Ser Avô (1877) e História de um Crime (1877). Vários dos seus romances foram transpostos com muito sucesso para o cinema, principalmente Notre-Dame de Paris, Os Miseráveis e Os Trabalhadores do Mar.

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O Corcunda de Notre Dame é um dos desenhos mais famosos dos Estúdios Disney

 

 



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