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Stendhal, um clássico livre de sentimentalismos e de grandiloquências

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Pseudônimo do escritor MARIE-HENRI BEYLE. Nasceu no dia 23 de janeiro de 1783, na localidade de Glenoble, Departamento de Isère, França. Morreu no dia 23 de março de 1842, na cidade de Paris.

Detestava a sua cidade natal, cuja população tinha simpatias pela monarquia. E, embora sua família fosse a mais aristocrática do local, transformou-se num republicano fanático. Aos 16 anos de idade, depois de ter sido um brilhante aluno da Escola Central de Genoble, foi para Paris, supostamente com a intenção de se matricular na Escola Politécnica, mas conseguiu um emprego público, graças ao seu primo Pierre Bruno, conde de Daru, que era um alto funcionário do Ministério da Guerra. Em 1799, tomou parte na campanha da Itália como suboficial de dragões. Neste país, estudou, frequentou teatros, museus, galerias e anotou todas as observações que lhe ocorriam sobre as coisas e sobre sua própria pessoa.

Em 1802, deixou o exército e voltou para Paris. Sua ambição então era se tornar autor dramático, mas indo para Marselha, onde trabalhou como atacadista de secos e molhados. Como fracasso do negócio, retornou para Paris, sendo feito oficial de intendência, em 1806. Nessa qualidade, acompanhou o imperador à Áustria, ficando em Viena como adjunto do Comissariado de Guerra. Novamente em Paris, foi nomeado membro do Conselho de Estado e Administrados dos Bens da Coroa. Em 1812, esteve na Rússia e assistiu à tomada de Smolensk, ao incêndio de Moscou e participou da trágica retirada para Berezina. No ano seguinte, assistiu à vitória napoleônica em Baritzen.

Com a invasão estrangeira, foi enviado a Genoble para, sob a direção do senador Saint-Vallier, organizar a resistência, demonstrando então ser um funcionário enérgico e capaz. Afastado do emprego público pelos Bourbons, com uma reduzida pensão, retirou-se para Milão. Viveu na Itália de 1814 a 1821, quando foi obrigado a ir embora sob suspeita de espionagem. Nesse período, estudou a arte italiana, exercitando-se na crítica artística e literária. Sob o pseudônimo de Louis-Alexander-Cesar Bombet, publicou, em 1814, seu primeiro trabalho, quase inteiramente plagiado, Vidas de Haydn, de Mozart e de Metastásio. Denunciado, o debate lhe foi favorável, pois o livro fez muito sucesso. Em 1817, encorajado pelo êxito, publicou História da Pintura da Itália, igualmente plagiada de vários autores.

Ainda 1817, publicou, usando pela primeira vez o pseudônimo Stendhal, Roma, Nápoles e Florença, que, apesar do título, trata também de Bolonha e Milão. Discorre sobre os hábitos morais de cada região, criticando em algumas passagens os austríacos, que dominavam grande parte do território italiano. Em Passeios Em Roma, lançado em 1829, patentearia mais uma vez o seu amor pela Itália. Em 1822, em Paris, escreveu Do Amor, livro apresentado como um tratado ideológico, mas é uma teia de lirismo, onde, com um rigor matemático, classifica quatro tipos de sentimento amoroso: o amor paixão (o único verdadeiro), o amor gosto, o amor físico e o amor vaidade. Apesar da profundidade da análise e leveza do estilo, não obteve sucesso.

A esse livro seguiram-se Vida de Rossini e Racine e Shakespeare, em 1823. Em 1827, publicou o seu primeiro romance — Armance —, um livro estranho e desconcertante, no qual revela uma força dramática quase cruel. Narra a história do amor entre o rico e taciturno Octave e Armance, sua prima pobre, que a disparidade social separa, indo ele buscar a morte na Grécia e ela entrando para um convento. No dia 23 de janeiro de 1828, foi fuzilado em Genoble o ex-seminarista Antoine Berthet, que, em plena missa, disparara contra a senhora Michoud de La Tour, sua antiga amante. Durante algumas semanas, os jornais exploraram o estranho caso e o autor acompanhou apaixonadamente as narrativas. Tendo na memória os traços do condenado e os lances da história, começou a esboçar seu personagem mais famoso: Julien Sorel, o protagonista de O Vermelho e O Negro.

Romance psicológico da ambição, o livro tem por fundo a França do período de restauração napoleônica, retratada com agudo realismo e fantasia transfiguradora. Em 1832, concluiu Lembranças de Egoísmo, que retrata suas peripécias em Paris. No ano seguinte, iniciou Lucien Lewen, romance que deixou inacabado, que foi publicado postumamente (1894). Suspensa a composição desse livro, começou a escrever A Vida de Henri Brulard, minuciosa autobiografia. A Cartucha de Parma, seu último romance — e sua obra-prima —, apareceu em 1839. De acordo com os críticos, vivendo em pleno período do romantismo, a técnica apresentada pelo escritor mostrava-se isenta de sentimentalismos e grandiloquência. Por isso, é considerado um dos grandes clássicos da literatura mundial. Morreu em 1842, vítima de um fulminante ataque de apoplexia.


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