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JEAN BAPTISTE RACINE nasceu no dia 22 de dezembro de 1639, na localidade de La Ferté-Milon, Aisne, França. Morreu no dia 21 de abril de 1699, na cidade de Paris.

Órfão em 1643, foi educado pela avó Marie des Moulins. Extremamente afeiçoada a Port-Royal, fez o neto ingressar nessa escola aos 15 anos, onde seria orientado por professores de fé jansenista e de fortes tendências humanistas. Nesse centro cultural, adquiriu perfeito conhecimento das línguas clássicas e o gosto pela arte grega e pelos problemas éticos. Ao mesmo tempo, escreveu seus primeiros poemas religiosos. Todavia, os estudos seriam concluídos no Colégio d´Harcourt, de Paris, em 1659, quando então passou a frequentar a sociedade mundana e literária.

Em 1660, compôs a ode La Nymphe de La Seine para as núpcias de Luís XIV. Seduzido pelo teatro, esboçou cenas de Amasie e Amours d´Ovide, das quais nada restou. A família, temendo que ele sofresse influência de suas novas e “más” companhias, providenciou-lhe uma permanência em Uzès, junto ao vigário geral da diocese, o seu tio Antoine Sconin. O jovem hesitava entre a carreira eclesiástica e a poesia, mas esta foi mais forte. De volta a Paris, em 1663, escreve L´Ode sur la Convalescente du Roi e La Rennomée aux Muses, que lhe valeram elogios da corte, uma gratificação real e a amizade de Nicolas Boileau.

Ao fim daquele ano, concluiu a tragédia La Thébaide ou Les Frères Ennemis, que falam sobre os irmãos Etéocles e Polinice, filhos de Édipo, tema de várias tragédias gregas. O trabalho foi encenado por Moliére em seu teatro, a partir de 20 de julho de 1664. No ano seguinte, a companhia representou outra tragédia sua: Alexandre, o Grande, um espetáculo romanesco e heroico, que alcançou grande sucesso. Todavia, o irônico Moliére figurou no protagonista as características do rei, que vinha protegendo o autor ao longo de sua carreira dramática. Repudiou, assim, o trabalho, confiando sua obra ao teatro de Hotel de Bourgogne. Algum tempo depois, conseguiu arrebatar de Moliére a sua melhor atriz, a bela Thérèse Du Parc, que se tornaria uma de suas paixões.

O dramaturgo consolidava aos poucos um caráter apaixonado e violento. Em 1666, voltou-se contra Port-Royal, publicando Lettre à l´Auteur des Heresies Imaginaires e Deux Visionaires, obras em que satiriza os jansenistas e defende os poetas em geral. Em 17 de novembro de 1667, nos aposentos da rainha — e nos dias seguintes para todo o público do Hotel de Bourgogne —, lançava triunfalmente Andromaque. Nessa obra, amigos e inimigos reconhecia o sinal de uma arte nova, potente e passional. No ano seguinte, encenou Les Plaideurs, a única comédia que escreveu. Sem desagradar ao rei, o espetáculo criticava, em parte, a administração judiciária da época.

Em 1669, a primeira representação da tragédia Britannicus o levou a se desentender com Pierre Corneille. O conflito assumiu um caráter ainda mais pessoal quando apresentou Bérénice, em 21 de novembro de 1670, uma semana antes de Moliére estrear Tite et Bérénice, do próprio Corneille. O duelo literário suscitou polêmicas, sátiras e paródias, mas, no juízo do público, ele se vencedor. Em seguida, realizou duas tragédias de argumento oriental: uma moderna, Bajazet (1672), e outra antiga, Mithridate (1673). A segunda estreia ocorreu no dia seguinte à sua entrada para a Academia Francesa, conforme prescrevia a tradição.

A sua tragédia expressa de maneira perfeita a doutrina clássica, lentamente elaborada entre 1620 e 1660. Ele respeitava as “regras” sem a menor contestação, como se elas tivessem sido feitas para ele. No primeiro prefácio a Britannicus, critica Corneille (sem citá-lo nominalmente), afirmando que suas peças acumulam “tal quantidade de incidentes, que precisariam de um mês para serem representadas”. Em sua tragédia, ao contrário, o dia se levanta na primeira cena e o desenlace ocorre ao anoitecer. A ação se desenvolve com total verossimilhança nesse breve espaço de tempo (12 horas). Proclamou sua fidelidade à história e mesmo à mitologia. Seus prefácios contêm abundantes referências às fontes antigas que inspiraram as obras. As tragédias sacras lhe impunham maior rigor, para evitar “qualquer espécie de sacrilégio”.

 

 


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