villa-lobos in1Villa Lobos

HEITOR VILLA-LOBOS nasceu no dia 5 de março de 1887 e morreu no dia 17 de novembro de 1959, na cidade do Rio de Janeiro.

Na infância, dedicou-se ao estudo do violoncelo e da clarineta com o próprio pai. Mais tarde, por um breve período, estudou no Instituto Nacional de Música. Compositor, foi essencialmente autodidata. Sozinho, aprendeu violão e, para esse instrumento, fez sua primeira composição, Panqueca, escrita aos treze anos. Em sua juventude, participou da vida boêmia do Rio de Janeiro, entrando em contato com a música popular, que o influenciou de forma decisiva. Ainda adolescente, em uma turnê pelo Brasil, tocou e anotou as canções e danças características de cada região. Manteve essa atividade durante anos e, ao se fixar definitivamente na capital carioca em 1913, já tinha alguns trabalhos de valor, dos quais se destacam Danças dos Índios Mestiços e Fábulas Características, calcados em folclore ameríndio.

villa-lobos in2Em 1914, seus trabalhos começaram a ser apresentados. Em 1919/1920, Gino Marinuzzi (1882—1945) e Paul Felix Weingartner (1863—1942) executaram suas obras, enquanto ele próprio regeu suas sinfonias A Guerra e Vitória. Em 1922, regeu no Rio de Janeiro suas óperas Alegria, Malazarte e Izaht e os concertos sinfônicos comemorativos à visita dos reis da Bélgica ao Brasil. Neste mesmo ano, participou da Semana de Arte Moderna e seguiu para a Europa, onde permaneceu por quase dez anos, sendo consagrado como um dos mais significativos compositores do século XX. Ao voltar, resolveu iniciar uma campanha de educação musical, especialmente criada para as condições do Brasil.

Empossado na direção da Superintendência de Educação Musical e Artística (Sema), introduziu nova orientação no ensino e, entre 1931 e 1934, promoveu recitais em que deslocou grandes massas para apresentações de mais de doze mil vozes e enormes orquestras. Organizou excursões por mais de sessenta cidades do interior, com conferências ilustradas por apresentações de piano, violino e orquestra. Criou também o Orfeão de Professores. Em 1932, representou o Brasil no Congresso de Educação Musical, realizado em Praga, e seus métodos de ensino de música fizeram muito sucesso. Três anos depois, inaugurou-se seu busto no Instituto Musical do Rio de Janeiro — o que representava a maior homenagem que se poderia prestar a um artista vivo.

villa-lobos in3A esses acontecimentos, seguiu-se um período de viagens para congressos ou concertos: Europa, América Latina, Estados Unidos. Assim, pôde mostrar suas criações com sucesso. Em 1945, fundou a Academia Brasileira de Música e foi aclamado seu presidente. Três anos depois, já doente, depois de efetivar a primeira audição da Sinfonieta n.º 2, nos Estados Unidos, para onde fora com o objetivo de reger e gravar, internou-se para um tratamento. Em 1950, realizou as primeiras gravações de suas obras no Brasil, embora já tivesse vasta discografia no exterior. Por ocasião do IV Centenário de São Paulo (1954), regeu Sumé-Pater Patrium (1952), sinfonia em cinco partes. Em 1956, realizou-se a primeira audição do Concerto para Guitarra e Orquestra, com André Segóvia. Dessa época até poucos dias antes de sua morte, dividiu-se ininterruptamente entre compor e apresentar suas obras.

villa-lobos in4O trabalho do compositor é vastíssimo. Compôs em todos os gêneros, para todos os tipos de instrumentos e vozes, criando inclusive obras excepcionais, como as nove Bachianas Brasileiras, compostas entre 1930 e 1945, as dezessete sinfonias, o Concerto Brasileiro sobre temas de Ernesto Nazaré (1863-1934) — para dois pianos e coro, Missa de São Sebastião, música para o filme O Descobrimento do Brasil, o Ciclo Brasileiro, constituído por Plantio do Caboclo, Impressões Seresteiras, Festa no Sertão e Dança do Indio Branco, catorze Choros, alguns dos quais obras sinfônicas de grandes proporções, os bailados Uirapuru, apresentados em Buenos Aires, e Jurupary, interpretado em Paris por Serge Lifar, o Rudepoema dedicado ao pianista Arthur Rubinstein, dezessete quartetos para cordas, um minueto, música instrumental para violino e, além de óperas, Madalena, intermediária entre a ópera cômica e a opereta, que alcançou grande sucesso na Broadway, Estados Unidos.

Entre suas peças para piano destacam-se a suíte Prole do Bebê, Alma Brasileira (Choro n.º 5), Impressões Seresteiras, Dança do Indio Branco (do Ciclo Brasileiro) e Poema Singelo. Seu Noneto é uma peça rara, pois combina elementos de uma orquestra de câmara (flauta, oboé, clarineta, fagote, celesta, harpa, piano) a uma bateria formada de instrumentos típicos brasileiros. Suas peças infantis são cheias de expressividade. Escreveu lieds, dentre os quais se destacam as catorze Serestas (1945), conhecidas no mundo todo. Tem vasta obra coral, além do Guia Prático, em dois volumes, que, tendo nascido de sua intensa preocupação didática, constitui um acervo de obras populares. Compôs muitas outras obras, desconhecidas no Brasil por falta de cópias ou gravações.

villa-lobos p1O pesquisador norte-americano David P. Appleby escreveu a biografia do compositor brasileiro. O autor fez doutorado sobre música brasileira na Universidade de Indiana e esteve no Rio de Janeiro para contatos com familiares do compositor. Apoiou-se também em referências bibliográficas, como as obras de Lisa Peppecorn, Simon Wright e Vasco Mariz. De acordo com seus levantamentos, há cerca de oitenta livros, em diversos idiomas, com enormes diferenças de opinião sobre Villa-Lobos. Ao analisar o legado do compositor, o pesquisador escreve que ele criou o reconhecimento internacional da música brasileira, que tornou possível o sucesso, mais tarde, da música popular brasileira, colocando-o como precursor de Tom Jobim, Caetano Veloso e Chico Buarque.

Também está na biografia a relevância do pianista Arthur Rubinstein para o início da carreira internacional do compositor brasileiro. Em 2000, o diretor  Zelito Viana levou para o cinema o filme Villa-Lobos — Uma Vida de Paixão, com Antônio Fagundes no papel principal. Outras produções sobre o compositor: Bachianas Brasileiras: Meu Nome É Villa-Lobos, do diretor José Montes-Baquer (1979) e Villa-Lobos — O Índio de Casaca, documentário escrito e dirigido por Álvaro Ramos em 1987. Por outro lado, Villa-Lobos o Homem e a Obra, do renomado musicólogo Vasco Mariz é considerado o livro definitivo sobre o grande compositor brasileiro e sua música.


 

 

 



© 2017 Tio Oda - Todos os direitos reservados